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Value Area, POC, VAH e VAL: como ler o valor

Atualizado em 20 de setembro de 2026

O que é a Value Area

A Value Area é a faixa de preços onde se concentrou cerca de 70% da atividade de uma sessão. Pode ser calculada sobre tempo ou sobre volume, mas a ideia é a mesma: delimitar onde esteve o grosso da negociação e deixar as caudas de fora.

Esses 70% não vêm de nenhuma propriedade do mercado. É uma convenção tomada do desvio padrão de uma distribuição normal, que cobre em torno de 68%. Foi arredondado e ficou assim.

Sua utilidade é de enquadramento. Um preço dentro da Value Area está em uma zona que o mercado aceitou durante a sessão. Um preço fora está onde houve pouco acordo e pouca permanência.

POC, VAH e VAL, um a um

POC é a sigla de Point of Control: o preço individual com mais tempo ou mais volume negociado da sessão. É o ponto mais largo do perfil e o que costuma servir de referência quando o preço rotaciona.

VAH, Value Area High, é a borda superior da faixa. VAL, Value Area Low, é a inferior. Entre os dois fica esse 70% da atividade da sessão.

Os três ficam fixados ao fechar o pregão. No dia seguinte são usados como referências do valor de ontem, e aí está o seu interesse: oferecem um mapa do dia anterior sobre o qual ler o atual.

Convém não confundir o POC com o VWAP. O POC é o preço onde mais se negociou; o VWAP é o preço médio ponderado por volume. Podem coincidir ou ficar muito distantes.

Como a Value Area é construída

O método mais difundido parte do POC e vai somando os níveis contíguos com mais atividade, para cima ou para baixo, até cobrir 70% do total. O nível mais alto alcançado é o VAH e o mais baixo, o VAL.

Há variantes. Algumas partem do TPO, sigla de Time Price Opportunity: o bloco que indica que o preço tocou um nível durante um período, normalmente de trinta minutos. Outras partem do volume negociado em cada preço. Os resultados se parecem, mas não são idênticos.

A decisão que mais altera o resultado é qual sessão se usa. Calcular a Value Area com a sessão regular ou com a sessão completa de quase vinte e quatro horas dá níveis diferentes para o mesmo dia. Antes de comparar números entre fontes, confira se falam da mesma sessão.

A abertura frente ao valor do dia anterior

O uso mais comum é comparar a abertura de hoje com a Value Area de ontem. Abrir dentro sugere que o mercado continua aceitando o mesmo valor; abrir fora, que está testando um novo.

Daí saem os cenários habituais. Dentro do valor, espera-se rotação entre VAL e VAH, com o POC como referência central. Fora do valor, ou o preço é aceito e o dia se torna direcional, ou volta ao range e a saída se mostra falsa.

Tudo isso é um vocabulário, não uma previsão. A única forma de saber se um cenário tem algo por trás é medi-lo sobre uma amostra ampla e aceitar o resultado mesmo que não agrade.

O que se pode medir com o range de ontem

Uma versão mais simples da mesma ideia usa o range do dia anterior em vez da sua Value Area: apenas a máxima e a mínima, sem ponderar tempo nem volume. É menos refinada, mas se mede sem ambiguidade.

A tabela toma as sessões do ES em que o preço rompeu a máxima ou a mínima do dia anterior e calcula com que frequência essa sessão fechou em verde após romper por cima, ou em vermelho após romper por baixo. A cor é o fechamento frente à abertura do mesmo dia.

É, portanto, uma medida de coerência entre o rompimento e o sinal da sessão. Não diz que o fechamento ficou além do nível rompido, e essa diferença importa ao interpretá-la.

Romper a faixa de ontem e a cor do fechamento

ES

DiaRompe a máxima e fecha no verdeRompe a mínima e fecha no vermelhoRompimentos
Segunda68,5%61,8%787
Terça67,6%71,6%886
Quarta70,7%68,8%851
Quinta69,7%67,3%863
Sexta74,1%70,6%801

n = 4.188 · 2010-06-07 a 2026-09-16 · dados de bolsa

Cor da sessão = fechamento frente à abertura do mesmo dia. Não mede se o fechamento ficou além do nível rompido. Um dia que rompe os dois lados conta nas duas colunas.

O que se vê na tabela, e o que não

As frequências são surpreendentemente parecidas. Romper a máxima de ontem e fechar em verde ocorre em 74,1% dos 801 rompimentos de sexta-feira no ES, o caso mais alto, e em 67,6% dos 886 de terça-feira, o mais baixo.

Por baixo, romper a mínima e fechar em vermelho vai de 71,6% dos 886 rompimentos de terça-feira no ES a 61,8% dos 787 de segunda-feira. A margem de variação entre os dias é estreita.

A conclusão razoável não é que o dia da semana decida algo, mas que a relação entre romper um extremo anterior e fechar na mesma direção é estável nesta série do ES. O que não se deduz daí é que operar esse rompimento seja lucrativo.

Porque a cor do fechamento não diz a que distância do nível rompido o dia terminou, nem o que aconteceu pelo caminho. A excursão adversa, quanto o preço se moveu contra antes do fechamento, fica de fora. E um dia que rompe os dois extremos conta nas duas colunas: os números de uma linha não são excludentes.

Os limites desta medição

A primeira limitação é de encaixe. A tabela usa o range do dia anterior, não sua Value Area. São referências distintas: o range inclui as caudas onde quase não houve negociação, e a Value Area as descarta. Não convém ler estes números como se medissem rompimentos de VAH ou de VAL.

A segunda é a deriva. A série é do ES, vai de 2010-06-07 a 2026-09-16 e reúne 4.188 rompimentos de um índice que subiu no conjunto do período. Isso empurra para cima qualquer número que dependa de fechamentos em verde.

A terceira é o custo: nenhuma porcentagem desconta spread, corretagem nem slippage. A quarta é a definição de verde. Fechamento frente à abertura é uma convenção entre várias; tomar o fechamento de ontem como referência daria outra tabela. Nenhuma é a correta, basta dizer qual se usa.

Como usar estes níveis

Estas referências servem para preparar a sessão, não para substituir o seu critério. Marcar o POC, o VAH e o VAL do dia anterior, junto com a máxima e a mínima, deixa alguns poucos preços concretos aos quais prestar atenção quando o mercado chegar até eles.

A partir daí, o útil é registrar o que o preço fez em cada nível e comparar esse registro com a base rate (taxa base histórica) correspondente, isto é, com a frequência histórica do mesmo cenário em condições parecidas.

Este texto é material informativo sobre leitura de dados históricos e não constitui aconselhamento de investimento personalizado. Resultados passados não antecipam resultados futuros e operar futuros envolve risco de perda.

Perguntas frequentes

O que acontece se o preço abre exatamente no POC de ontem?
É considerada uma abertura em valor, no ponto de maior aceitação do dia anterior. É o cenário mais neutro: não traz informação direcional e obriga a esperar para ver para qual lado o preço se desloca.
Por que a Value Area é de 70%?
É uma convenção herdada do desvio padrão de uma distribuição normal, que cobre cerca de 68%. Nada no mercado obriga a esse número, e algumas implementações usam porcentagens diferentes para delimitar a zona.
A Value Area serve para operar no horário europeu?
O conceito pode ser calculado sobre qualquer sessão, inclusive a europeia. O que não se pode fazer é misturar: os níveis e as estatísticas de uma sessão não valem para outra sem recalculá-los do zero com essa definição.
Por quanto tempo o POC e a Value Area do dia anterior continuam válidos?
São referências da sessão seguinte, sobretudo durante suas primeiras horas. Perdem relevância à medida que o dia constrói seu próprio perfil e o preço se afasta da zona. Não são níveis permanentes.

Estes números, instrumento por instrumento

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